A história de Saquarema não está apenas nos documentos oficiais, nas igrejas, nos monumentos ou nos registros administrativos. Ela também sobrevive nas lembranças de quem nasceu no município, de famílias que acompanharam as mudanças dos bairros e de moradores que preservam histórias transmitidas entre gerações.
Essas memórias ajudam a compreender como Saquarema se formou e como sua identidade foi construída ao longo do tempo. Antes de se tornar conhecida pelas praias e pelo surfe, a cidade já reunia comunidades ligadas à pesca, à agricultura, à religiosidade e à vida em torno da lagoa.
Das aldeias indígenas à formação do município
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a região era habitada por povos indígenas antes da ocupação colonial. O nome Saquarema é associado à expressão “Socó-Rema”, relacionada à presença de aves nas áreas próximas à lagoa.
A ocupação colonial avançou a partir do século 16. Registros históricos citados pelo município e pelo IBGE mencionam a presença de religiosos, fazendas e núcleos de povoamento na região. A formação administrativa de Saquarema ocorreu no século 19, com a criação do município em 24 de julho de 1860.
Para os moradores mais antigos, esses acontecimentos aparecem muitas vezes ligados a lugares conhecidos, como a Igreja de Nossa Senhora de Nazareth, a lagoa, as praias e os antigos caminhos que conectavam as comunidades. A história oficial registra datas e instituições; a memória popular acrescenta nomes, costumes, relações de vizinhança e episódios do cotidiano.
A vida junto à lagoa e ao mar
Durante décadas, a pesca fez parte da rotina de muitas famílias. A lagoa e o mar eram espaços de trabalho, convivência e subsistência. Os relatos transmitidos entre moradores costumam destacar o conhecimento das marés, das áreas de pesca e das mudanças percebidas na paisagem.
A agricultura também marcou a trajetória local. Em diferentes períodos, áreas do município foram ocupadas por plantações e propriedades rurais. No distrito de Sampaio Corrêa, a produção de cana-de-açúcar teve relevância econômica, especialmente com a antiga Usina Santa Luiza.
Com o passar dos anos, Saquarema cresceu, recebeu novos moradores e passou por transformações no comércio, no transporte e na ocupação urbana. A expansão das estradas e o aumento do turismo aproximaram a cidade de outras regiões do estado, mas também modificaram hábitos e paisagens lembrados pelos moradores mais antigos.
Memória como patrimônio
A preservação dessas histórias ganhou reconhecimento institucional. A Lei Municipal nº 1.895, de 7 de janeiro de 2020, criou o projeto Saquarema Memórias e Histórias dos Bairros, com o objetivo de contribuir para a reconstrução da memória e da história das comunidades locais.
O município também mantém iniciativas voltadas à reunião de fotografias, objetos, documentos e registros audiovisuais. Segundo a Prefeitura, o Centro de Memória foi pensado para reunir acervos doados por moradores e valorizar personagens que ajudaram a construir a cidade.
Contada por seus moradores, a história de Saquarema é formada por muitas camadas: a presença indígena, a ocupação colonial, a fé, o trabalho no campo, a pesca, as festas, o crescimento urbano e a relação permanente com a lagoa e o oceano. Preservar essas narrativas significa reconhecer que a identidade de uma cidade também é construída por experiências simples, lembranças familiares e histórias compartilhadas entre vizinhos.