sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Dia a Dia

O cotidiano dos pescadores de Saquarema entre a lagoa, o mar e a tradição

Em Saquarema, a pesca artesanal faz parte da rotina de centenas de trabalhadores e foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município. A atividade combina conhecimento tradicional, trabalho familiar e dependência das condições do mar e da Lagoa de Saquarema.

O cotidiano dos pescadores de Saquarema é marcado pela relação direta com o mar, as lagoas e as mudanças do tempo. Em uma cidade conhecida pelas praias e pelo turismo, a pesca artesanal continua sendo uma atividade econômica, social e cultural para muitas famílias.

A rotina começa com a preparação das embarcações, das redes, das linhas e dos demais equipamentos. O trabalho depende da avaliação das condições de navegação, da maré e dos locais de pesca. Parte dos pescadores atua no mar aberto; outra parcela utiliza ambientes lagunares, como a Lagoa de Saquarema e a Lagoa de Jaconé.

Uma atividade ligada ao conhecimento tradicional

Na pesca artesanal, a experiência tem papel central. O conhecimento sobre os ventos, as correntes, a movimentação da água e a presença dos cardumes é construído ao longo dos anos e costuma ser compartilhado entre familiares e integrantes da comunidade.

Esse modo de vida foi reconhecido oficialmente pelo município. A Lei nº 2.237, de 9 de maio de 2022, declarou a pesca artesanal de Saquarema patrimônio cultural de natureza imaterial. A medida reforça o valor histórico da atividade e de seus saberes para a identidade local. (transparencia.saquarema.rj.gov.br)

A organização dos trabalhadores também passa pela Colônia de Pescadores Z-24, fundada em 1956. A entidade atua na representação da categoria e mantém estruturas ligadas à comercialização e ao apoio aos pescadores. Levantamentos sobre a pesca na Região dos Lagos registraram ainda a participação de mulheres em atividades de beneficiamento e organização da produção. (maress.furg.br)

Do lançamento das redes à venda do pescado

Depois da captura, o trabalho continua em terra. O pescado precisa ser retirado das embarcações, separado, conservado e encaminhado à comercialização. Essa etapa exige cuidados com higiene, armazenamento e transporte para preservar a qualidade do produto até chegar ao consumidor.

Em Saquarema, as redes de emalhe, as linhas e o espinhel de fundo estão entre os equipamentos registrados no monitoramento da atividade. Um relatório técnico da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro apontou que a pesca no município é exclusivamente artesanal e identificou espécies como namorado, corvina, pargo, tainha e olho-de-cão entre os pescados registrados no período analisado. (rj.gov.br)

A cadeia produtiva também envolve ações de capacitação. Em atividade realizada em Saquarema, a Fiperj e a Colônia Z-24 discutiram boas práticas na pesca artesanal e procedimentos relacionados ao entreposto de pescado. O objetivo é melhorar a segurança do alimento e a organização da comercialização. (rj.gov.br)

Desafios para quem vive da pesca

Entre os principais obstáculos está a dependência das condições ambientais. O mau tempo pode impedir a saída das embarcações, reduzir a captura e comprometer a renda das famílias. A situação da barra da Lagoa de Saquarema também é apontada como um problema de segurança, já que o desgaste do molhe pode dificultar a passagem das embarcações entre a lagoa e o mar.

Mesmo diante dessas dificuldades, os pescadores de Saquarema mantêm uma atividade que combina trabalho, tradição e abastecimento local. A pesca artesanal permanece presente no cotidiano do município e ajuda a preservar uma forma de conhecimento construída a partir da observação contínua das águas e das paisagens costeiras.