A gastronomia de Saquarema ocupa um lugar importante na identidade cultural do município. Em uma cidade marcada pela presença do mar, das lagoas e de comunidades ligadas à pesca, os alimentos, os modos de preparo e as celebrações culinárias ajudam a contar parte da história local.
Esse vínculo ganhou reconhecimento oficial em 2023, quando a Lei Municipal nº 2.392 declarou o festival gastronômico “O Gosto de Agosto” patrimônio cultural de natureza imaterial de Saquarema. A norma foi sancionada em 4 de maio daquele ano. (transparencia.saquarema.rj.gov.br)
Comida também é memória
Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o patrimônio imaterial inclui saberes, ofícios, modos de fazer, celebrações e práticas reconhecidos por comunidades como parte de sua identidade. Esses elementos são transmitidos entre gerações e podem ser recriados de acordo com as transformações sociais e ambientais. (gov.br)
Aplicado à gastronomia, esse conceito vai além de um prato específico. Inclui a escolha dos ingredientes, as técnicas de preparo, os utensílios, as formas de servir e os momentos coletivos em que a comida é compartilhada. Festivais, feiras, cozinhas familiares e estabelecimentos tradicionais podem funcionar como espaços de preservação e transmissão desses conhecimentos.
Influência da cultura caiçara
A própria Prefeitura de Saquarema apresenta a culinária local como tipicamente caiçara. Peixes, frutos do mar e mandioca aparecem entre os elementos associados à alimentação e à história da cidade, enquanto a oferta atual também reúne restaurantes, bares, cafeterias e cozinhas de diferentes estilos. (saquarema.rj.gov.br)
A mandioca, em particular, é descrita pelo município como parte da história e da identidade cultural de Saquarema, com saberes preservados ao longo das gerações. Já os pescados mantêm relação direta com o ambiente litorâneo e com as atividades tradicionais desenvolvidas na região. (apaixonese.saquarema.rj.gov.br)
O papel dos festivais
O reconhecimento do “O Gosto de Agosto” mostra como um evento gastronômico pode reunir dimensões culturais, econômicas e turísticas. Ao colocar a comida no centro da programação, o festival cria espaço para divulgar ingredientes, receitas, produtores e profissionais que participam da cadeia alimentar do município.
A declaração como patrimônio imaterial não significa que todos os restaurantes ou pratos de Saquarema estejam oficialmente protegidos. O reconhecimento se refere especificamente ao festival previsto na Lei nº 2.392. Ainda assim, a medida reforça a importância de políticas públicas voltadas à valorização dos saberes culinários e das referências culturais locais.
Preservação depende de continuidade
Manter a gastronomia como patrimônio cultural exige mais do que registrar receitas. É necessário garantir que os conhecimentos continuem circulando entre moradores, cozinheiros, pescadores, produtores e novas gerações. Também são importantes ações de documentação, formação, incentivo a eventos e valorização dos ingredientes produzidos na própria região.
Em Saquarema, a comida se relaciona diretamente com a paisagem, o trabalho e a memória coletiva. Por isso, preservar a gastronomia local significa reconhecer a cozinha como parte viva da cultura caiçara e como uma das formas pelas quais o município apresenta sua história a moradores e visitantes.